Rosana Blogueira

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

UM AMOR PLATÔNICO









Quem, algum dia, não alimentou (ou "ruminou"?) um amor platônico?
Quem, algum dia, não sonhou acordado,quem não teve suas mais secretas paixões, fantasias ou seja lá o que for por alguém inacessível?
Pois bem, um dia sucumbi a esse tal sentimento por um tal homem muito especial.
Era menina ainda quando o conheci...grande amigo de meu pai.
Ficaram sensações represadas.
Ficaram lembranças lindas.
Ficou a inspiração.
Ficaram as palavras....despejadas há tempos atrás.
(...)




Estar em contato com você ...



É "incorporar" algo de Fellini e Almodóvar .

É uma terapia -Jung e Lacan, juntos, não dariam conta.

È alegria de infância remota, frio na barriga de primeiro beijo, excitação de primeiro amor, turbulência de primeira paixão, alento de bem-querer, sensações intrigantes, fantasias de menina´- mulher, aprendizado, uma viagem ao tempo, descobertas.
É falar o que sinto, sem disfarces, e sentir coisas inexplicáveis.
É imaginar o inimaginável, pensando ser possível.
É ir em busca de Moinhos de Vento.
É querer apenas vê-lo, senti-lo ou amá-lo como se fosse a última vez...ou a primeira de muitas outras que se seguiriam, quem sabe?
É querer fazê-lo a pessoa mais feliz do planeta, sem nada em troca... talvez por um dia, por uma noite, pra vida toda ou fazer deste sonhado momento uma “eternidade fugaz”.
É querer ficar por perto de você, nos seus altos e baixos.
È querer me embriagar sempre de suas palavras como se fossem elas um delicioso vinho de bouquet denso, eterna fonte de prazer.
É um querer-bem infindável.
È estar de mãos dadas, pra sempre entrelaçadas.
É TEADORAR eternamente...sentindo seu cheiro, seu abraço.
É te mostrar todo o meu Oriente, todos os mistérios de um amor, paixão, admiração ou a mistura disso tudo, contido há séculos.
É querer ouvir Love me Tender no escurinho do cinema, grudada em você.
È ouvir Robertão de 30 anos atrás ( O Portão) e chorar...”Eu voltei agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar”...
É ser repetitiva e repetitiva e repetitiva como uma “velha coroca”.
É ficar desconectada do mundo real e simpatizar apenas com a ficção, com a fantasia.
É escrever desenfreadamente, sem reler nada.
È tomar banho de cachoeira imaginando estar ao seu lado.
É ouvir Jazz, Blues ou o melancólico Chopin e viajar com vc, em meu pensamento, por lugares indescritíveis.
É querer chutar tudo pro alto e seguir minha intuição ou o nonsense.
É querer te esperar eternamente.
É querer te ouvir incessantemente.
É ser meio besta, atrevida, insolente... é jogar os bons modos pro espaço.
É enxergá-lo não mais como um “mito”.
É ser eu mesma sem me importar, agora, com mais nada.
È querer a toda hora que venha, venha, venha e venha...
É querer ardentemente que arrebente esse seu maldito aquário e que se liberte de tudo o que te aprisiona.
É querer ser sua gueixa e deixá-lo entregue nos meus braços, redoma de paz.
É querer te apontar uma nova direção.
È querer fazer uma imensa horta junto com você, cheinha de temperinhos -ervas de “Provence”.
È querer tirar uma foto abraçadérrima com vc embaixo de um ipê rosa, roxo ou amarelo.
É querer continuar dormindo de janela aberta, vendo e ouvindo estrelas.
É querer chupar jabuticabas no pé.
È amanhecer encantada com a vida.
É querer lhe fazer cafuné, massagens relaxantes ou nem tanto e “comidinhas pra depois do amor”, como diria Vinicius.
É tomar garapa acompanhada de pastel de queijo.
É ver o pôr do sol deitada no teu peito.
É sentir o silêncio de uma boa pescaria.
É ser sua Odalisca em “sonhos de uma noite de verão”.
É pegar uma longa estrada, em noite de lua cheia, sem hora pra chegar ou voltar.
É ouvir Summertime na voz de Janis Joplin e querer te encher de beijos e beijos e beijos.
É ouvir Atrás da porta da Elis e “querer debruçar-me sobre o teu corpo, reclamando o teu carinho baixinho...te adorando pelo avesso...até provar que ainda sou sua...”
É querer voltar no tempo pra ficar embaixo da mesa da minha mãe reparando em seus lindos sapatos.
È querer te fazer ter menos sono e mais sonhos, muuuuiiiiitos... interessantes e lindos sonhos.
È querer recompensá-lo por ter preenchido docemente minhas fantasias, protagonista de meus deliciosos e tresloucados devaneios juvenis.
È querer dançar um bolero olho no olho.
È querer que “apenas soubesse que aquela alegria ainda está comigo, e que a minha ternura não ficou na estrada, não ficou no tempo, presa na poeira, que esta menina hoje é uma mulher e que esta mulher é uma menina que colheu seu fruto, flor do seu carinho, e que a atitude de recomeçar é todo dia , toda hora, que não teme o corte de novas feridas e que tem a saúde da vida”...
É querer te ajudar a recolher os cacos velhos do caminho e transformá-los em um lindo “castelo” bem-assombrado ou, no mínimo, bem-ensolarado.