Rosana Gimael Blogueira

Powered By Blogger

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Meras impressões apenas...






Meu caro amigo Stuart "Brau", como está o frio por aí? Você deve estar chegando por esses dias, mas já vou lhe adiantando as últimas - já que você deve ainda estar “em trânsito” e bastante atribulado-, caso você não saiba ainda ou tenha outra versão dos fatos.
Enfim, o grande dia chegou: Copa do Mundo no Brasil sil sil sil !!!! We are One!
Na verdade, meu querido, um dia antes do grande evento, devo-lhe dizer que nossa Presidente, em rede nacional , fez o seu discurso, um tanto eleitoreiro, mas o fez. Com um tom um tanto carregado, mas o fez. Criticou aqueles "que chegaram ao ridículo de prever uma epidemia de dengue na Copa em pleno inverno no Brasil”. Ela se esqueceu de dizer o que está acontecendo na cidade de Campinas, interior de S.Paulo: a maior epidemia de dengue de todos os tempos.
Dilma também se referiu a obras de mobilidade como ganhos. Citou avenidas, viadutos, pontes, metrôs, vias de trânsito rápido e avançados sistemas de transporte público. Jornais menos sensacionalistas rebatem-na dizendo que “todos os cinco projetos
de transporte sobre trilhos foram excluídos do plano. Corredores de ônibus (BRTs) estão sendo entregues incompletos”. Epa, e o trem-bala não chegou!?
Em educação e saúde, afirmou a Presidente, as esferas federal, estadual e municipal ‘investiram’, desde 2010, cerca de R$ 1,7 trilhão. Refrescando a memória, diz um suposto sabedor dos fatos: “Só se chega à cifra de R% 1,7 trilhão se contabilizados, além dos investimentos, gastos com custeio e pessoal”.
Bem, mas voltando ao tal esperado dia, querido amigo, a respeito da abertura da Copa, devo lhe dizer que, por aqui, a coisa esquentou os ânimos dos milhões de “críticos”, de todas as partes do país.
Houve toda a sorte de comentários, que vieram dos anônimos aos famosos.
Reclamaram da curta aparição – dois segundos! - do Exoesqueleto que chutou a bola na abertura ; o chute do projeto Andar de Novo , que sabemos ser um passo enorme para nossa ciência, a despeito da questionável (prática) pesquisa do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
E , depois, muito se falou a respeito do fiasco da apresentação: pobre, sem brilho, vergonhosa, indigna do povo brasileiro!
Ora, você sabe, a diversidade cultural do nosso país é riquíssima, vasta, variada, de norte a sul do país e me parece que o povo se sentiu humilhado - e lá vem o tal complexo vira-latas, tão apregoado -, ao constatar que isso não foi explorado a contento para um evento ( e para um país!) desse porte.
Para quem está acostumado com "o maior espetáculo da Terra", com uma Marquês de Sapucaí, claro está que a abertura frustrou a milhões.
Outros esperavam algo hollywoodiano, digno de um país “rico” como o Brasil. Esperava-se ver a exuberância das escolas de samba afamadas e brilho, muito brilho...e como dizia Joãozinho Trinta: “Quem gosta de pobreza é intelectual; o povo gosta de luxo” , ao justificar a ousadia de suas criações nas escolas de samba cariocas.
Sabemos também que a diversidade musical e as riquezas naturais de nosso país são de tirar o fôlego, isso pra não dizer da nossa gastronomia. E todos aqui reclamam, Brau, que nada disso foi explorado como assim, merecidamente, deveria ser!
Questionaram o porquê da contratação de uma belga que não conhece nada do nosso país, para realizar tal abertura e não a de profissionais brasileiros de renome, gabaritados, capacitados pra "arrasarem" na organização do evento.
Aí, “massacraram” sobre a aparição dos “cantores”, J.Lopez, Pitbull e Claudia Leite. Houve problemas com o som na transmissão e as imagens exibidas para todo o mundo foram ao ar com um vergonhoso delay - atraso no som - em relação ao que ocorria no gramado do estádio. “A falta de sincronismo entre som
e imagem passou a impressão de que Claudinha, Jennifer Lopez e Pitbull estariam fazendo playback, expondo os artistas ao ridículo nas redes sociais”.
J.Lopes, apesar da sensualidade latina explícita, deixou a desejar com a falta de vibração; ao contrário de Claudia Leite (emocionadíssima, como milhões de nós, claro!) que, aliás, estava com um modelito, segundo diz a boca miúda - não tão miúda assim - de dois milhões de reais (?!). Sim, dois milhões de reais custou o seu look tupiniquim: um "macaquinho" cravejado de cristais swarovski, ela devidamente montada em um sapato de quase cinco mil reais, vindo da Itália, sob encomenda dela, especialmente para adornar seus pés. Claro, sem contar com os acessórios, lindas e caríssimas joias. Bem, o tal Pitbull...um Pitbull mesmo rsrsrs. Mas esse meu comentário pode soar “despeitoso”, meu amigo. Releve!
E todos se perguntavam: “Cadê os nossos geniais e criativos músicos”?
(...)
O que se sabe é que a FIFA é quem decidiu tudo, inclusive soube eu que a delicadeza do gramado, dentre outras coisas, não permitiriam grandes estripulias, além do que o tal espetáculo foi durante o dia, daí a ausência de brilhos, luzes etc e tal.
Dizem que jornais de todo o mundo criticaram duramente o vexame do evento. Eu, particularmente, vi alguns deles linkados pela suspeita ( duvidosa!) VEJA. Eu realmente não vi fontes
fidedignas que dão conta disso. Não por enquanto. Vale lembrar, caro amigo Stuart, que a Net nem sempre colabora comigo.
O que para mim, como brasileira, pegou mal, muito mal, foi assistir ao vexame de uma elite (ou classe emergente?) ao gritar a plenos pulmões palavras de baixo calão à Presidente do país - não tão carismática e convincente bem sei! -, à autoridade Dilma Rousseff, democraticamente eleita pela maioria do povo.
Ali, naquele estádio, estavam famílias que podem pagar pelos exorbitantes ingressos, ali estavam pessoas dessa tal “elite branca” que, com certeza, podem pagar colégios muito bons para seus filhos. De nada adiantam diplomas, títulos, dinheiro, se não houver educação, o tal berço, hoje esquecido e tripudiado. A calamidade do ensino no país não se restringe só à falta de vontade , ao descaso dos políticos desta nação, todos nós sabemos, não é Brau? Educação vem de casa, é responsabilidade da família! Ali, naquele recinto, com certeza não havia favelados ou a “proliferação” de pobres - e aqui nem cito negros, favelados - para que muitos, como sabemos, justificassem tal comportamento - fala comum entre aqueles da classe emergente ou não.
Se o descontentamento é tão grande assim com tudo o que estamos vendo, vivenciando – e sem falar dos protestos violentos pipocando por aí tampouco as greves – , então, que se faça valer o maior protesto de todos os tempos em outubro, nas eleições, você não concorda, gringo?
Apesar disso, meu caro amigo, o Brasil se saiu bem, muito bem, no jogo contra a Croácia, mesmo com um gol contra do nosso Marcelo.
Finalizo, dizendo a você, meu amigo, que eu, ao ouvir o Hino Nacional, debulhei-me em lágrimas, pra variar. É sempre de arrepiar...
E inspirada agora pelo nosso talentoso músico Milton Nascimento ( e o parafraseando!) em uma de suas antológicas canções, digo-lhe: Para ser brasileiro é preciso ter força, é preciso ter raça e é preciso ter garra sempre. Essa é a marca do verdadeiro espírito brasileiro. E ser brasileiro não é para qualquer um não, Stuart Brau!
Te espero no Posto 9, como sempre! E iremos comemorar o seu níver, com um certo atraso...mas assim o faremos em grande estilo, como nos velhos tempos...e já lhe desejo os Parabéns e toda a sorte do mundo nessa sua nova fase, no Brasil!
Abraços


Recordar é viver...e viver é muito bom demais!

Meu avô Honorato, meu querido amigo vô Nato, um dia me dissera - ao ser por mim indagado sobre sua prodigiosa memória - que, à medida que envelhecemos vamos nos lembrando de coisas e “cheiros” remotos, de situações trazidas pela mente lá de trás, coisas de que anteriormente não recordávamos e que vêm em flashes, assim do nada, sem esperarmos!

Lembrei-me do que ele mencionara há décadas , hoje, ao amanhecer, ao acordar e sentir um cheiro de quase início de outono após um período de calor dantesco.
Senti o cheiro de terra molhada. Logo a seguir, veio até mim a avenida Ester. Nesse cenário, os tais “flashes” abrigaram minha mente. E como um véu a se descortinar, vi a família Fáveri animadíssima na avenida com imensos bois estilizados numa alegria e colorido indescritíveis, entremeados de serpentinas, confetes, cantoria de marchinhas de carnaval, gente bonita, gente animada; em minha imaginação de menina de olhos estupefatos, cravados naqueles “bois” imensos, eu enxergava pés e pés sob eles, numa coreografia estonteante diante da criançada gritando “é a banda do boi chegando”. Eu fitava aquilo tudo num misto de espanto, curiosidade, admiração, alegria incontida, paralisada atrás da porta de vidro semiaberta de casa.

Depois veio uma neblininha tipo “fog londrino”...era a semana santa e, com ela, havia o ritual da via-sacra... A avenida estava escura, porém em cada casa havia do lado de fora, uma iluminação tênue. As portas das casas – ao todo 14, que representavam as estações (ou quadros!) da Paixão de Cristo - da avenida eram tomadas por uma espécie de altar, cortinas esvoaçantes, claras e, de uma delas, na esquina, grudada à Coletoria, iluminada por uma lâmpada esverdeada, havia uma mulher a cantar com “voz de ópera”. Era a personagem Verônica que a saudosa e inesquecível D.Pegy, esposa do sr. Zé Garcia, cabeleireira prestigiada na cidade- e a qual tive o prazer depois, já moça, de entregar minhas encaracoladíssimas madeixas aos seus cuidados - protagonizava lindamente. Me lembro- agarrada à calça cáqui de brim do meu pai - da minha emoção, do meu corpo grudado às pernas dele, do meu coração batendo descompassado querendo pular pra fora, dos meus olhos cheios d’água, da avenida fervilhando de gente em silêncio, de pessoas prostradas diante daquela mulher frágil de cabelos negros, figura diáfana... Lembro-me do monsenhor, dos sacristãos com roupas cor de vinho , da procissão, das rezas.
Ao meu lado, me lembro de senhoras vestidas de preto com mantilhas sobre as suas cabeças também da mesma cor, a chorarem em silêncio, a proferirem orações baixinho. Elas pareciam gigantescamente maiores que eu e muitas delas carregavam velas que, vez ou outra me faziam imaginar - ao olhar fixamente para elas enquanto queimavam -, a imagem de Jesus na cruz!
Quanta imaginação mora em uma criança...eu não deveria ter mais do que cinco anos!
E agora se “instala” em mim o cheiro de contrafilé na chapa me remetendo ao meu pai, ao Hemes Kiehl, ao Banjo (Bar) que calorosamente me acenam, dizendo “vem experimentar essa carne que tá uma delícia”! rsrsrsrs

Viajo através do tempo, dos cheiros, das cores, dos sabores e desperto pra minha realidade de mulher “madura” (rs) ..Saio lááááá de trás, de lindas recordações e me transporto para o HOJE - não menos lindo - feliz, muito feliz em reencontrar alguém muuuuito querido que veio me ver, depois de uns 17 anos e trouxe, dentre outros mimos, uma peça imensa de contrafilé para o meu filho fazer um churrasco com amigos!

Sim, recordar é viver. E viver é muuuuito bom! Bom demais! Uhuuu...

AH, as mulheres...


Mulheres inteligentes são complicadas demais?
L
uísa  cursava o último ano de Arquitetura. Tinha poucos atrativos físicos, mas era culta, extremamente culta. Os pais vieram de uma família abastada. A mãe era artista plástica; o pai, professor de História da Arte, em uma universidade conhecida; nas horas de lazer era um músico que transitava entre o  jazz e  o blues ...era um virtuose!

Seus ouvidos foram treinados a ouvirem boa música, da clássica ao rock ; por influência dos pais,  flertava  com a MPB e, claro, com o jazz e o blues. Lia Kafka, contemplava Dalí, consumia Godard. Filha única, desde sempre fora criada cercada de conforto, viajara pelo mundo, fizera alguns intercâmbios culturais, o que lhe rendera fluência em quatro idiomas. Tivera acesso a uma educação diferenciada, à prática de esportes também diferenciados - tênis, turfe e esgrima. Tinha poucos amigos e “ pais-cabeça “ dos quais se orgulhava em tê-los como seus progenitores e  melhores amigos.
No barzinho frequentado por universitários, Luísa fora cercada , em certa  noite, por Pedro, um rapaz sem atributos físicos como ela. 
Ele era considerado “o burro” na turma da  Engenharia Civil.  Fora reprovado e carregava várias dependências do curso. Ele sempre a admirava de longe...gostava do  jeito dela com as pessoas a sua volta, do seu porte  que, segundo ele, lembrava o de uma rainha. Mas nunca tivera chances de dela se aproximar. Pensava sempre em Luísa, tinha fantasias com ela, tinha-a como musa inspiradora nos momentos mais solitários , longe dos seus, da sua Goiânia querida. Noites em claro ao som de pagode, de sertanejo. Pedro pensava  em Luísa, desejando imensamente aquela garota de quase 1,80m, porte de rainha, uma “ nerd “em potencial.

Mas o  "amor" consegue ser destemidamente desbravador quando quer..

Ele se dedicou tanto quanto pôde a “estudar” todas as preferências e gostos de Luísa, articulando  todas as possibilidades de chegar  a ela e, apesar de terem  colegas em comum, ela lhe parecia inacessível. Foi assim durante meses, até aquela noite, graças a esses  colegas que lhe  disseram onde a encontraria às sextas-feiras.
 Ele , o caçula de quatro  irmãos, vinha de uma família de emergentes; o pai era empresário  do ramo agropecuário. A mãe dedicava-se aos filhos e ao lar; ambos tinham uma vida  voltada mais para o consumismo e não priorizavam uma vida movida à cultura ou coisa    assim.  A família inteira,  dos dois  lados dos pais,  se fez  na lavoura.
(...)
 Mas, voltando àquela certa noite....Ela encontrava-se sozinha ali naquele barzinho,  junto ao  balcão. Ele encheu o peito de ar,  aproximou-se com um andar  meticulosamente calculado  e, incorporando um ar distraído,  criou coragem pedindo  um "capeta de abacaxi "e, após a  bebida, disparou:
- Este ambiente está abafado, me remete aos contos góticos de Castro Alves!
- Como assim , góticos?
-  Digo: este lugar. Abafado. Navio Negreiro.
- Navio Negreiro? Se voltando para o rapaz, pega de surpresa com a comparação, no mínimo, inusitada no que se referia ao autor romântico nacionalista como “gótico”.
- Uhum! Abafado como o Navio Negreiro do gótico Castro Alves,reforça ele.
-Ah – um “ah” de quem entendeu. 
 Muito bem! Ela fora receptiva, ponto pra ele.
 E ele:
_ Só faltam as correntes pra eu me sentir como os escravos – brinca...uma nova alusão ao livro.
- É, responde ela desanimadoramente monossilábica.
 E então se fez o silêncio. Ele esperava que ela alavancasse algum comentário que o      estimulasse a continuar conversando, que fugisse das interjeições desestimuladoras. 
 Mas o "amor"  consegue ser cegamente persistente quando quer. Por isso, espera, ainda  paciente, uma “deixa”.
 A música ambiente, algum jazz que ele desconhece – o que não é de surpreender –  preenche o silêncio. Ele suspira, arrematando:
- Play it again, Sam!
  Ela sorri. Outro ponto positivo.
- Também gosto de  Casablanca – ela.
- Assisti três vezes- responde ele.
- Três?
- Essa semana.
- Puxa! Eu nem tanto, a esse ponto. – E novamente o silêncio.
 Ela discorda. Ponto negativo. E ainda por cima, aquele silêncio dela... Ele precisava  continuar o assunto que conseguiu arrancar-lhe um sorriso. Mas falar o quê? Nunca        assistira  ao filme Casablanca em toda sua vida. Andou sondando no Google, mas não se        lembrava dos detalhes do filme. Queria impressioná-la. Então, recomeça:
- Pobre Scarlett O´Hara – arrisca.
- Como? – Ela ri. – Scarlett O´Hara em Casablanca?
  Suava em bicas agora e, apressando-se em responder:
- Refiro-me ao próximo vídeo que irei rever...E o Vento Levou… quarta vez essa semana. Só de lembrar o que a pobre Scarlett vai passar, fico emocionado.
- Sério? Costuma chorar nos filmes?
- Até com  George Chaplin.
- Quem?
Dados cruzados. Simplifique. Simplifique. Silêncio brutal...ela retoma:
- Hãã… Chaplin, o vagabundo.
- Ah, sim. Ele tempera as piadas com as lágrimas. Mas nada como um Freddie Mercury depois.
 - Hum… Boa pedida. Mas quer uma sugestão?  Prefira  Smiths.
- Sim, um som eletrônico é uma ótima sugestão.
-The  Smiths,  eletrônico?
 Hããã?...suor de novo, em abundância...Que inferno é esse Smiths? Will Smiths?      Reorganize...
-É  que o Rap tem algo de eletrônico.
-Rap??!!! The Smiths é rock!
- Rock? Sim. Foi o que eu disse. RAP. “Rock to Alternative People”. Um movimento musical  ocorrido nos guetos londrinos, iniciado nos anos noventa.
- Smiths nos anos noventa? – rindo.
 Besta. Por que não colocou ponto final depois de “londrinos”? Agora se joga.
- Hãã… bem… É que talvez você não tenha ouvido a demo que lançaram na década de noventa, antes de estourarem nos anos dois mil.
- Anos dois mil? – ela, quase gargalhando.
 Ele pigarreia, embaraçado. Quase entregue. Quase… Mas o amor consegue ser    insensivelmente cara-de-pau quando quer.
Me desculpe. Estou um pouco confuso, qualquer um ficaria assim  depois de contemplar Rembrandt por duas horas...
Ela, surpresa e animada:
- Você gosta de Rembrandt? Não acredito! Eu amo Rembrandt. Amo, amo, amo. Me diga: qual seu quadro preferido?
Seu anta, e agora? Confusão total...La Gioconda, Sagrada Família, O Grito,  A moça...Meu Deus, tô ferrado!
Ele, responde,  evasivo:
- Prefiro aquela fase após ele cortar a própria orelha.
- Mas quem cortou a orelha foi Van Gogh.
- É… Então… Pra ser bem sincero, estou começando agora a apreciar os pintores italianos.
- Italiano? – Rindo de novo. – Mas ele  era holandês!
- Era? Mas isso era o que se acreditava no século 15.
- Mas Rembrandt viveu no  século 17!
- Cheeeeeegaaaaa- grita.
 Sai furioso daquele lugar, sem olhar para trás, deixando a garota sozinha, que ria sem parar.
 Entrou na Tucson prata novinha, novinha - presente do pai . Colocou Gustavo Lima pra  ouvir e saiu cantando pneus, buzinando pra uma linda loirinha ali ,na outra esquina, em  frente a  outro bar, que dançava sensualmente - sob a mira de olhares libidinosos, calorosos  aplausos  e “fiufius” - , embalada pela música “ela não anda, ela desfila...ela é top, capa de  revista”” ,  vinda de uma caminhonete potente.
 Parou ali  sob o pretexto de tomar uma “cerva”  e se esquecer do “mico”  da noite.
 E tendo uma única certeza: Mulheres inteligentes são complicadas demais. Decididamente  não servem para ele!
 E ali, naquela esquina movimentada, ele se  jogou, sentindo-se  pertencido ao seu  mundo,  ao seu meio. E riu muito, divertindo-se madrugada afora, esquecendo-se de tudo nos braços  de outra menina -  bem mais acessível e receptiva a aos seus anseios,  aos seus apelos.



MERGULHANDO NA LGBT: História, comportamento, estilo, literatura, música, arte e afins



A homossexualidade na História - Da Antiguidade ao século XIX

Deste o princípio, a prática do homo-erotismo está presente na sociedade humana. Há registros desse comportamento sexual entre povos selvagens, na natureza e entre os animais. Neste trabalho de pesquisa está relatado como a ótica da moral de cada sociedade, das ciências e das filosofias, encarou esse fenômeno da natureza.

Egito (Séc V a.C.
Existiu na cidade de Tebas (que por mais de 2000 anos foi a maior e mais próspera cidade, considerada sagrada, do Egito) um exército de homossexuais. O grupo militar era formado por mais de 150 casais de amantes. No Egito, quando um jovem se alistava, o seu equipamento era dado por seu parceiro. Através de inúmeras e espetaculares lendas, o Sagrado Exército de Tebas, como era chamado, foi transformado em lenda, mantendo-se invicto por mais de 40 anos, perdendo apenas para Felipe, rei da Macedônia, pai de Alexandre o Grande. Alexandre posteriormente destruiu a cidade. Entre os registros egípcios existe um conto sobre duas divindades que vêm para a terra e fazem sexo com dois homens. Os nobres possuíam escravas e escravos para a prática sexual, além dos jovens pajens.

Grécia (séc. III a.C.)
O berço da filosofia, terra que nos fez herdar belezas arquitetônicas, foi o celeiro de muitas de nossas ciências e da democracia. Exemplos de homossexualidade na Grécia não são limitados aos mortais, na ficção está a maior demonstração da abertura do pensamento grego sobre o tema

Na mitologia
A mitologia grega está recheada de deuses, semi-deus e seres bissexuais ou homossexuais. O casal mais famoso de todos é formado por Zeus e Ganimedes. Hércules, famoso por suas habilidades e força, também amava a Filoctes, Nestor, Adônis, Jasão e outros, mas o seu amor era notório pelo sobrinho Iolau. Apolo, deus da beleza e da eterna juventude, além de seus incontáveis amores femininos, possuiu inumeráveis homens. O rapto de jovens era comum, aconteceu com Himeneu, Ciparisso, Carnus, Hipólito, entre outros. Já o Deus do vinho, Dionísio, gostava de festas e banquetes.

Cultura
A educação dos meninos atenienses se dava através de laços de amizade e pratica homossexual com seus mentores. Um cidadão que não exercesse a adoção de jovens, e se encarregassem de sua educação, era acusado de omissão em seus deveres como cidadão. Era uma obrigação social tão importante quanto pagar impostos. Os meninos após os 12 anos de idade, nunca abaixo dessa idade, procuravam um adulto para sua educação. Com a aprovação da família e do garoto, este praticava sexo homossexual passivo até completar seus 18 anos de idade com o mentor que lhe ensinava tudo o que sabia sobre a vida. A partir de então, tornava-se ativo e deveria ser mentor de outro jovem, para posteriormente casar-se, próximo a completar 25 anos de idade. Obviamente, muitos continuavam com a prática homo. Homens para o prazer, mulheres para a procriação, dizia a regra social da época.
De fato não há registro de que a homossexualidade tenha sido amplamente aceita na Grécia antiga, muito menos que tenha sido encarada como um problema, como acontece nos dias de hoje. A bissexualidade era vista como prova de virilidade e o sexo homossexual apenas como sexo carnal, troca de energias.

Olimpíadas
Os jogos olímpicos da antiguidade eram exclusivos para homens. Neles, os atletas competiam pelados e ao final de cada dia havia uma grande comemoração. Não existia a competição, ganhadores ou perdedores, era uma celebração saudável ao corpo e mente humana.

Platão, Sócrates e Safos foram os homossexuais mais famosos deste período, suas idéias, resgatadas na Renascença, foram determinantes para o fim da era das trevas.

Roma
Nenhum outro império foi tão poderoso, extenso e glorioso quanto o romano. Dos últimos 15 imperadores, apenas um (Cláudio) não deixou referências quanto a sua homo ou bissexualidade. Julio César, Tibério, Calígula, Nero, Adriano, Heliogábalo, Galba, Caracala, entre outros, foram adeptos do amor proibido. A luxúria, acompanhada da ostentação e riqueza, era grande. Nos palácios ocorriam verdadeiras orgias. Vestir-se de mulher era uma brincadeira comum, como acontece em nosso Carnaval. Até Constantino (312 D.C), a homossexualidade não seria encarada como um problema por nenhuma sociedade. Embora algumas religiões citem o episódio de Sodoma e o Velho Testamento, tradutores garantem que houve um erro de tradução, no primeiro caso, e uma grotesca alteração, no caso do segundo, durante a Idade Média.

Idade das trevas – Idade Média
Durante a Idade Média o mundo mergulhou na ignorância. A vontade de Deus era o argumento para todas as ações, inclusive em situações cruéis. A ascensão do Cristianismo em Roma reverteu os valores da época, caçou hereges e perseguiu os diferentes. O papa passou a ter um poder divino sobre a terra, dividindo com os imperadores o governo das nações, influenciando como nunca o futuro da humanidade. O conhecimento ficou restrito aos nobres e aos clérigos. Através do saber manipulou-se os interesses dos homens, a escravidão religiosa gerou uma igreja próspera e de violência generalizada.
A religião de Roma prosseguiu. Diversos são os relatos de ontem e de hoje sobre casos de homossexualidade dentro das religiões. Papas homossexuais fizeram parte da história da Igreja. Como João XXII, que chegou a ser expulso e trazido de volta, por causa das suas orgias bissexuais. Tendo sido assassinado a pauladas, em 964, aos 24 anos, por um esposo traído que o pegou em flagrante.
Em 1123, foi declarada a nulidade de casamentos de padres. Mulheres, animais fêmeas, adolescentes belos e até instrumentos musicais foram proibidos nos mosteiros, a fim de diminuir a tentação aos religiosos. Cantos que misturavam tons muito agudos foram retirados com o pretexto de serem homoeróticos. A pureza da alma agora dependia do sexo e do desejo.

Inquisição
O papa Gregório instituiu o direito ao Tribunal do Santo Ofício, em 1231, e ordenou o combate às mazelas difundidas em toda a Europa. Somente em Estrasburgo, na época território alemão, foram queimados mais de 80 homens, mulheres e crianças, somente no primeiro ano da inquisição. A prática de extorsões, crimes políticos e de tortura também foi observada. Os homossexuais foram tão perseguidos que, somente no Brasil, já no século XVII, foram registradas 4.419 denúncias de sodomia, dos quais, 30 foram enviados à Metrópole e condenados à fogueira. Muitos fidalgos portugueses fugiam para a colônia em busca de sossego da Inquisição.
A sodomia era considerada a pior das heresias. Para homossexuais, a idade justificava a pena. Após confissões obtidas na base da tortura, o indivíduo abaixo de 15 anos era recluso por 3 meses. Acima dessa idade, deveria ir preso e posteriormente pagar multa. Os adultos deveriam pagar multas, caso contrário tinham suas genitálias amarradas e deveriam andar nus pela cidade, serem açoitados e depois expulsos. Caso fossem maiores de 33 anos, o acusado seria julgado, sem direito a defesa e, caso condenado, morto em fogueira e seus bens confiscados. Apesar de todo os esforços, nesse mesmo período existem relatos de pelo menos dois papas homossexuais: Paulo II e Alexandre VI.

Renascença
O retorno das idéias gregas e romanas. Dois fatores foram cruciais para o sucesso desta virada de página na humanidade. O fortalecimento da burguesia, através do comércio e artesanato, e o segundo, sem dúvida, a invenção da prensa gráfica móvel em 1456 pelo alemão Gutemberg. Com isso, a escrita passou a ser popularizada. Os livros produzidos pelos monges escribas e dominantes da escrita não eram acessíveis à maioria da população. Embora o primeiro livro publicado tenha sido a Bíblia, em menos de 10 anos o volume de obras ultrapassou o que os monges conseguiram fazer a mão em quinze séculos. Infelizmente, na Idade Média, muitas obras acusadas de heresia foram perdidas para sempre. Porém, fragmentos da antiguidade e novos títulos sugiram e impulsionaram o pensamento humano.
Com defensores públicos do amor entre iguais, a homossexualidade foi tornando-se causa de penas leves e raras execuções. Os mestres Leonardo da Vinci, Botticelli, Michelangelo eram homossexuais. Novos ares de liberdade inebriavam a história, mas os homossexuais ainda seriam atacados pelos protestantes, que apesar de defenderem a educação de seu povo passaram a ver os homossexuais e as prostitutas como escória social na terra e no reino divino, voltando para estes grupos os julgamentos e execuções.

O Oriente
Em 1541, Francisco Xavier foi o primeiro missionário a chegar no Japão e à China. Chegando nesses países e visitando um grande monastério Zen, presenciarou a falta de pudor destes povos ao “copularem contra a natureza”. Mais tarde, os jesuítas relataram que a sodomia também era comum entre os samurais. Na China, outro missionário relatou que a existência de um grande número de prostitutas e sodomia generalizada. A visão ocidental passou a interferir na tradição milenar do oriente, apenas no século XIX, com o aprimoramento da comunicação, e invasão de territórios orientais por europeus.

As Américas pré-colombianas - Antes da chegada do europeu neste continente.
Em toda a América do Norte foi observada a prática de sodomia entre as tribos nativas. O travestismo era comum em tribos como os Sioux. Ao povo asteca existia até um deus patrono da homossexualidade e da prostituição, xochipili. Práticas rituais com sexo entre homens também foram relatadas. Prisioneiros e escravos mais uma vez eram vítimas de estupros.
Na América do Sul
Em tribos de caçadores, os homens que não gostassem de desempenhar o papel social de seu gênero poderia juntar-se às mulheres nos afazeres da agricultura e cuidados domésticos. Para participar do grupo feminino deveria deixar os cabelos alongados e ser passivo no sexo. Os conquistadores europeus caçavam os nativos travestidos, conforme ensinado em sua terra natal. O termo bugre, sinônimo de índios, vem do termo francês bougre que significa herege, sodomita.

No Brasil
O sexo homossexual sempre fora praticado entre os índios. Em algumas tribos, essa era a forma de curandeiros passarem seus conhecimentos. Rituais de iniciação fazem parte da tradição do índio entrando na puberdade, em muitas comunidades inclui-se a iniciação sexual. O baito, tenda dos homens, foi presenciada no Séc. XIX pelo naturista alemão Karl Von den Steiner. A falta de mulheres disponíveis na tribo também era resolvida de forma prática.

Brasil Colônia
Em 1584 aconteceu a primeira visita do Santo Ofício da Inquisição no Brasil. A Bahia foi o local desta inspeção motivada pela observação das pessoas que retornavam a Portugal, que possuíam hábitos de libertinagem.
 Durante a escravidão, a homossexualidade foi naturalmente praticada pelos negros, uma vez que a prática ainda não havia sido coibida em seu continente. Tanto os homens quanto as mulheres eram vítimas de estupro por parte dos capatazes e senhores de engenho. Alguns historiadores afirmam que Zumbi dos Palmares, o herói negro brasileiro, também era homossexual.

Iluminismo (Séc. XVIII)
A idade do ouro. O século das luzes tomou conta Europa e posteriormente do mundo. As idéias de racionalismo, da ciência, de um homem que se tornava cada vez mais humano. Com isso, a Ciência tomou conta de caracterizar a homossexualidade como doença. Na verdade, foi descrita entre doença e etnia, como se através das características de comportamento do indivíduo ele fizesse parte de um grupo étnico. O mundo ainda era extremamente machista e fundamentalista. Tudo precisava ter uma explicação. Os anos de ignorância geraram fome de conhecimento. A partir daí para a invenção da luz elétrica, mecanismos movidos a vapor. A revolução francesa marca o fim do feudalismo e representa a luta por melhores condições de vida, de trabalho: liberdade, igualdade e fraternidade. Para o homossexual (sobretudo àqueles sem contatos políticos) existiam agora três pesos: o Estado, a Igreja e o povo. Diversas experiências de cura de homossexuais foram empregadas, obviamente, sem sucesso.




http://herycon.blogspot.com.br/2011/10/homossexualidade-na-historia-da.html



http://pt.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Bishop


http://www.brasilpost.com.br/2014/07/26/frida-kahlo-exposicao_n_5622069.html

http://lesbosomundolesbico.blogspot.com.br/2010/04/frida-kahlo.html

Frida kahlo

Movida pelo amor, movida pela dor, a vida de Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon foi um tumulto desde o princípio: aos seis anos contraiu poliomielite e isso a deixou capengando de uma perna. Sofreu um acidente ao sair da adolescência, em um ônibus, onde além de fraturas generalizadas, foi perfurada por uma barra de ferro que entrou pela bacia e saiu pela vagina. Sofreu dezenas de cirurgias ao longo da vida, por conta disso a sua saúde sempre foi frágil. Depois do acidente, Frida recebeu da mãe material de pintura. Como não podia levantar-se, olhava para si mesma, na cama, através de um espelho pendurado e assim começou a pintar em um estilo surrealista e primitivista. As cores são fortes e as imagens chocantes, brutais. ‘Eles dizem que minha arte é surrealista, mas como ser, se tudo o que mostro em cores é minha própria vida?’
A pintura de Frida é a sua própria história, da sua dor e angústia. Ainda por conta do acidente, não podia ter filhos e essa frustração foi amplamente retratada em sua obra. O que Frida pintou foi o seu sofrimento, suas feridas, sua dor, o seu próprio sangue, pode-se ver o seu corpo mutilado, cortado, sofrido, carregado das cicatrizes que o retalharam. Tinha uma completa dependência emocional do marido, Diego Rivera, a quem amou profundamente e com quem levou uma vida instável e tumultuada. As fases ruins com Rivera pioravam a sua saúde. O marido tinha amantes e ela também. Dos dois sexos. Para Rivera, as relações homossexuais de Frida eram perfeitamente permitidas, o mesmo não acontecendo com as relações heterossexuais, mas ela as mantinha assim mesmo. Sofreu como poucas mulheres sofreram em suas vidas, com traições, frustrações e solidão - como se não bastassem as mutilações e as 35 cirurgias que fez ao longo de 30 anos, aproximadamente. Teve momentos de felicidade, onde sorria com muita freqüência e expressava-se com palavrões ditos sonoramente com sua voz profunda. E levou uma vida sexual variada e intensa, difícil até de se imaginar como, por conta da média de uma cirurgia por ano. É importante que se diga que Rivera era o mais importante pintor mexicano naquele tempo e só depois, com a redescoberta de Frida mais recentemente, ela pode equiparar-se a ele em termos de fama e reconhecimento. Foi Rivera, após a morte da esposa, que fundou o museu em sua homenagem para preservar a obra 'da mais importante pintora mexicana'. Frida morreu aos 47 anos, em 1954, no seu México de nascimento e adoração, morreu de uma overdose de medicamentos ou de uma pneumonia - não está completamente esclarecido, suspeita-se de suicídio, mas isso também não é certo. Por muitos anos escreveu um diário carregado de confissões, poemas e desenhos, quase sempre alegres, mas onde também fala do seu terrível sofrimento. Morreu com dores terríveis e só a morte a livrou do sofrimento. Pouco antes de morrer, deixou dito: ‘Tomara que nunca mais eu precise retornar’.
Um rosário de lindas e inteligentes mulheres passou pela cama e marcou presença no coração da genial Frida Kahlo. E como se não bastasse a sua força de viver diante dos infortúnios, ela deixa acima de tudo, um legado que não tem preço: a sua desenvoltura diante do amor, do sexo e do prazer. Tanto o seu envolvimento com mulheres quanto com homens era sem culpa. Tem-se nessa Deusa Azteca não somente uma autodidata do surrealismo, mas também a Frida mulher, bissexual sempre dada ao prazer. Não lhe escapou ao coração a estonteante atriz Dolores Del Rio como tantas outras do seu itinerário de conquistas. A atrofia física não lhe ofuscava o espírito. Era uma sedutora nata. Mulher bonita à sua época, tanto por homens quanto por mulheres era cobiçada. Deixou um legado maior que a sua reconhecida e concorrida obra, a sua personalidade avassaladora. Tênue a sua saúde, mas impulsiva a sua coragem e o seu apego à vida. Esta é a Frida Kahlo da heróica resistência do corpo, a mexicana da alma inquieta que soube conduzir tão bem uma paixão. De uma curta, mas intensa existência. Assim foi e continua sendo Frida Kahlo.


1.Viu beleza nas tragédias – irremediáveis - da vida
A inspiração de Frida para suas pinturas e fotografias, vieram de suas angústias e dificuldades em lidar com sua própria condição. Quando criança, Frida contraiu poliomielite que deixou uma lesão no seu pé esquerdo, e ganhou o apelido de ‘Frida perna de pau’. Mais tarde, em 1925, a artista sofreu um acidente em que teve múltiplas fraturas e precisou fazer 35 cirurgias. Foi nesse período, em que ficou presa à sua cama e com problemas na coluna, que começou a pintar e retratar suas angústias e frustrações em suas criações. A biógrafa Hayden Herrera, no livro “Frida – A Biografia”, cita uma fala da artista que demonstra a vontade de viver:
“Por eu ser jovem”, ela disse, “o infortúnio não assumiu o caráter de tragédia: eu sentia que tinha energias suficientes para fazer qualquer coisa em vez de estudar para virar médica. E, sem prestar muita atenção, comecei a pintar.”
2.Transformou suas deficiências em estilo
Cheias de cores e ricas em elementos florais, as roupas de Frida Kahlo viraram tendência e ícones de estilo e até ganharam exposição e livro só para elas. Enquanto, na verdade, sua autenticidade era uma forma de esconder suas deficiências provocadas pelo acidente, em 1925, e pela poliomielite que teve quando pequena, que deixou sequelas em seu pé esquerdo. Seus sapatos, inclusive, eram adaptados exclusivamente para ela, com um salto maior do que o outro para nivelar sua altura. Seus ‘corpetes’, na verdade, eram coletes ortopédicos.
3. Escolheu viver com intensidade um amor cheio de defeitos
Na maioria de suas obras, Frida se autorretratou: as angústias, as vivências, os medos e principalmente o amor incondicional que sentia pelo marido, o pintor e muralista mexicano mais importante do século 20 Diego Rivera, com quem se casou em 1929. Mesmo com uma relação complicada enquanto casal e rodeada de traições de ambas as partes, foi ele que ajudou Frida a revelar-se como artista.
4. Sofreu três abortos
Após muitos altos e baixos na carreira e na vida com Diego Rivera, Frida sofreu três abortos, enquanto tinha a esperança de ser mãe e constituir uma família completa ao lado do marido.
5. Teve uma perna amputada
Com o tempo, Frida foi ficando mais sensível e seu estado de saúde também. Em 1950, em decorrência da poliomielite que teve na infância, os médicos diagnosticaram a amputação da de sua perna esquerda, o que a fez entrar em depressão. Mesmo assim, a artista continuou a pintar: uma de suas últimas obras foi "Natureza Morta (Viva a Vida)".
6. Viveu um romance escondido com Leon Trotsky
Amigos de revolucionários da época, Frida e Diego chegaram a abrigar um dos ícones da revolução russa em casa: Leon Trotsky, sua mulher e netos foram acolhidos pelo casal. O que é menos sabido é que Trotsky e Frida tiveram um romance que durou quase um ano e havia recém terminado quando Rivera o descobriu.
7. Era para ter se formado médica
Frida tinha um destino traçado: antes de começar sua carreira nas artes, ela cursava faculdade de medicina no México. Mas sua relação com as artes vinha desde pequena, quando, seu pai, Guillermo Kahlo, fazia pinturas autorais para passar o tempo.
8. Morreu aos 47 anos
Na madrugada do dia 13 de julho de 1954, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon foi encontrada morta dentro de casa. Ela tinha 47 anos. As últimas palavras foram encontradas em seu diário: “Espero alegre a minha partida – e espero não retornar nunca mais”. O caderno com diversas anotações secretas da artista virou livro.
9. Foi capa da revista Vogue
Em 2012, A Vogue México deixou de lado as modelos para sua capa de novembro e estampou a publicação com ninguém menos que a pintora Frida Kahlo (1907-1954). Quase 60 anos após a morte da artista mexicana, com imagem feita pelo fotógrafo Nickolas Muray, Frida estampa pela primeira vez a capa de uma revista de moda.
10.Mexer nos pertences de Diego e Frida era proibido 
Após a morte da pintora, Diego Rivera exigiu 15 anos de segredo para os pertences do casal. No entanto, ele morreu três anos depois e deixou Dolores Olmedo, uma colecionadora de arte, como administradora de seu acervo e ela se recusou a dar acesso às peças até para o Museu Frida Kahlo. Somente após sua morte, em 2004, os objetos foram desbloqueados e formaram a exposição sobre as roupas e pertences de Frida nunca antes vistos pelo público.






O iGay http://igay.ig.com.br foi se consultar com Pedro Paulo de Sena Madureira, um dos mais importantes editores brasileiros dos anos 70 até os 2000 e atual professor de literatura, para fazer uma lista essencial dos escritores gays.




Acima, o escritor irlandês Oscar Wilde

....................
Gay assumido “desde que se conhece por gente” – ele se casou no dia 11 de julho passado com Carlos Henrique Lamothe, seu companheiro há 37 anos -, o editor Pedro Paulo de Sena Madureira refuta o termo “literatura gay”. “Não gosto dessa classificação”, diz, e justifica: “O escritor é bom ou não é bom, a obra é bem escrita ou não. Não acredito em ´literatura gay´, assim como não concordo com 'literatura feminina´.”


Claudio Augusto
Pedro Paulo Senna Madureira: " Não acredito em ´literatura gay´, assim como não concordo com 'literatura feminina"

Ele começa a ditar o seu conhecimento extenso com indicações de obras que poderiam, mas nunca serão por ele, classificadas como “literatura gay”.
“O primeiro romance de Marguerite Yourcenar , ´Aléxis´, de 1929, trata da carta de um pianista famoso para a sua mulher, com quem ficou casado por três anos sem chegar propriamente a possuí-la , dizendo que vai abandoná-la para seguir sua vocação e viver sua atração por homens.”
Pedro Paulo lembra-se ainda de “Memórias de Adriano”, a obra mais importante da escritora, uma biografia imaginária do imperador romano. “Ela cita toda a relação dele com outro homem. Posso dizer que é uma obra-prima gay? Não, é simplesmente uma obra-prima.”
E o editor segue sua relação de livros que seriam, em sua opinião, diminuídos pela classificação de “gays”. “´Bom Crioulo´, do escritor brasileiro Adolfo Caminha, é um belo romance”, diz ele, lembrando a obra que em sua publicação, em 1895, foi recebida com escândalo pela crítica literária por tratar de tabus como sexo inter-racial e a homossexualidade em ambiente militar.
“Todos se esquecem também de ´Moleque Ricardo´ (1935), de José Lins do Rego, que passa praticamente 2/3 do livro como homossexual. Ele vai para o Recife na adolescência e se depara com a vida urbana. É uma delícia de romance”, descreve Pedro Paulo.
E vai mais longe: “Os sonetos doShakespeare, segundo a maioria dos biógrafos, são dirigidos a um rapaz. São uma obra-prima da literatura.”
Considerando que a sexualidade dos escritores não é uma definição da sua obra, e sim puramente a sua orientação sexual, Pedro Paulo aceitou a tarefa de listar os autores gays que são, em sua opinião, os mais significativos da literatura. Sua lista final com 11 nomes seria a seguinte:
1- Jean Genet – escritor, poeta e dramaturgo francês, morreu em Paris em 1986. “Todos os principais personagens de sua obra toda são homossexuais”, diz Pedro Paulo, que cita os livros “Diário de um Ladrão” e “Nossa Senhora das Flores” e a peça de teatro “As Criadas”.
2- Edmund White – romancista, escritor de contos e crítico literário, nasceu em Ohio, EUA, em 1940. “Biógrafo de Jean Genet, assim como o seu biografado, só tem romances gays.


Divulgação
"Onde Andará Dulce Veiga?", de Caio Fernando Abreu, e "Diário de Um Ladrão", de Jean Genet, obras essenciais dos dois autores


3- Caio Fernando Abreu – Jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro, morreu em 1996. “Meu amigo”, diz Pedro Paulo. “Na obra do Caio Fernando pouco aparece o homossexualismo explícito. Ele era abertamente homossexual, mas procurou não trazer em seus livros essa característica predominantemente homossexual.”


Divulgação
"Em Busca do Tempo Perdido", o clássico de Marcel Proust

4- Marcel Proust – Escritor francês, morreu em 1922. Mais conhecido por sua obra “Em Busca do Tempo Perdido”, publicada em sete partes entre 1913 e 1927. “Na última parte de ´Em Busca do Tempo Perdido´, depois de ´Sodoma e Gomorra´, do 4º ao 7º volumes, o homossexualismo é totalmente explícito.”
5- Gore Vidal – Autor, dramaturgo e ensaísta americano, morreu em 2012. Nos Estados Unidos, é mais respeitado como ensaísta do que como romancista. O crítico John Keats elogiou-o como "o melhor ensaísta do século [XX]”.
6- Oscar Wilde – Dramaturgo e poeta irlandês, autor de um único romance, “O Retrato de Dorian Grey”, Wilde foi o inventor de um movimento estético chamado esteticismo, ou dandismo, que defendia o belo como antídoto para os horrores da sociedade industrial. Em 1895, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por "cometer atos imorais com diversos rapazes”, depois que o pai de Bosie (apelido de Lorde Alfred Douglas, um de seus amantes) o denunciou e o levou ao tribunal. Morreu em 1900.
De Profundis é o título de uma obra de Oscar Wilde de 1897, que toma a forma de uma longa e emocional epístola épica ao seu amante Alfred Douglas, escrita na prisão de Reading, onde cumpria pena de prisão por comportamento indecente e sodomia.
Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não usa máscara. (Behind joy and laughter there may be a temperament, coarse, hard and callous. But behind sorrow there is always sorrow. Pain, unlike pleasure, wears no mask)
Enquanto na prisão Wilde não foi autorizado a enviar a carta que escrevera, apenas lhe foi permitido levar o manuscrito consigo no final da pena. Wilde acabou por confiar o manuscrito ao seu amigo jornalista Robert Ross, que fez duas cópias dactilografadas. Uma terá sido enviada a Douglas, que negou sempre tê-la alguma vez recebido. Em 1905, quatro anos após a morte de Wilde, Ross publicou uma versão reduzida (cerca de um terço) da carta com o título De Profundis, que viria a ser utilizado sempre em edições posteriores. O original foi doado em 1909, por Ross, ao British Museum, com a condição expressa que não fosse apresentada ao público durante cinquenta anos. A segunda cópia dactilografada foi utilizada para a publicação da "primeira versão completa e rigorosa" por Vyvyan Holland, filho de Wilde, em 1949. Na realidade, quando em 1960, o manuscrito foi tornado público, foi possível estabelecer que a cópia dactilografada continha cerca de uma centena de erros. A versão correcta viria a ser publicada em 1962 no livro de cartas The Letters of Oscar Wilde.
7 - James Baldwin – Ensaísta, romancista e dramaturgo americano de Nova York. Foi o primeiro escritor a dizer o que os negros americanos pensavam e sentiam. Chegou ao auge de sua fama durante a luta dos direitos civis no início da década de 1960. Morreu em 1987.
8 - André Gide – Escritor e militante da causa gay francês, recebeu o Nobel de literatura em 1947 e morreu em 1951. Homossexual assumido, falava abertamente em favor dos direitos dos homossexuais. Escreveu, entre 1910 e 1924, “Corydon”, livro destinado a combater os preconceitos homofóbicos.
9 - João do Rio – Prolífico escritor carioca, publicou textos sob diversos pseudônimos em várias publicações cariocas. João do Rio era um dos pseudônimos, nascido na “Gazeta de Notícias”, que engoliu o seu verdadeiro nome, João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, ou Paulo Barreto. Morreu em 1908.


Divulgação
"O Rei do Cheiro" e "Pedação de Mim", duas das obras de João Silvério Trevisan

10- João Silvério Trevisan – Escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor, cineasta e ativista LGBT paulista de Ribeirão Bonito, nasceu em 1944. Ex-seminarista, assumiu sua homossexualidade e foi um dos fundadores do grupo Somos, de defesa dos direitos dos homossexuais, na década de 1970.
11- Lúcio Cardoso - Escritor, dramaturgo, jornalista e poeta mineiro, morreu em 1968. Católico, deixou em seu Diário (1961), escrito entre 1949 e 1962, um relato emocionado sobre sua homossexualidade, e as dúvidas e culpas geradas pela sua orientação sexual.
“Posso provocar?”, pergunta Pedro Paulo, como se fosse possível evitar que o seu raciocínio a jato atinja seus alvos como um raio. “Coloca também Shakespeare, considerando que os sonetos tenham mesmo sido escritos para um rapaz, e Santo Agostinho, que nas ´Confissões´ relata suas ´relações proibidas´.”

GRANDES PINTORES HOMOSSEXUAIS

Pintores e artistas plásticos de um modo geral são, com certeza, grandes referências de contestação social desde que os tempos são tempos. Nessa postagem queremos evidenciar um pouco da história de alguns pintores que tiveram relações homoafetivas ao longo de suas vidas ou que foram considerados gays, lésbicas ou bissexuais por seus estudiosos. Nem todos lidavam bem com essa condição, mas se tornaram grandes personalidades da arte e, consequentemente, contribuem para a visibilidade da questão LBGT. Eles são o exemplo de que lésbicas, gays e bissexuais contribuíram e continuam contribuindo para o desenvolvimento da nossa cultura e evolução da humanidade. É claro que nossa lista é resumida, focada apenas em alguns dos mais famosos, pois certamente inúmeros outros existiram e continuarão existindo.

Leonardo Da Vinci – (Italiano, 1452 - 1519)
Um dos maiores gênios da história, Leonardo da Vinci mantinha sua vida privada em segredo, mas sua sexualidade sempre foi alvo de estudos, análises e especulações, especialmente a partir de Sigmund Freud. Em 1476, da Vinci foi acusado de sodomia — nesta época relações homossexuais eram crime em Florença. Ele e mais três jovens do ateliê onde trabalhava teriam mantido relações com um prostituto chamado Jacopo Saltarelli. No entanto, por falta de provas, a acusação de sodomia foi arquivada. Anos mais tarde, em 1490, Giacomo Salaï, um jovem florentino, passou a morar com o pintor, reacendendo em Florença os boatos sobre sua homossexualidade. A relação foi se fragmentando por conta de contravenções do pupilo. Outro discípulo do artista, o conde Francesco Melzi, filho de um aristocrata da Lombardia, foi igualmente acolhido por Da Vinci em 1506. Melzi, estudante predileto de Leonardo, viajou com o tutor para a França, onde esteve ao seu lado durante todo o fim de sua vida. Com a morte de Da Vinci, Melzi herdou as coleções, manuscritos e obras artísticas e científicas de Leonardo, patrimônio que ele administrou fielmente a partir de então. Para alguns cientistas, a homossexualidade de Da Vinci estaria expressa na Mona Lisa, quadro que, segundo eles, seria um auto-retrato feminino do pintor.


Michelangelo - (Italiano, 1475 - 1564)
Pintor, escultor, poeta e arquiteto renascentista, Michelangelo nunca se casou e hoje existe praticamente um consenso que tenha sido homossexual, mesmo com a negação de seus primeiros biógrafos. Há indícios que o artista teve casos amorosos concretos com vários jovens como Cecchino dei Bracci, para quem desenhou o túmulo, e Giovanni da Pistoia, que conheceu enquanto trabalhava no teto da Capela Sistina e para quem escreveu alguns sonetos. No entanto, nenhuma prova concludente se encontrou sobre relacionamentos concretos. É bastante possível que o próprio Michelangelo tenha reprimido sua sexualidade ao longo da vida, tornando seus amores quase platônicos. Entre todas as histórias, quem ocupou o maior lugar em seus pensamentos foi Tommaso dei Cavalieri, um patrício amante das artes. Cavalieri era um jovem de 17 anos de idade, descrito como calmo e despretensioso, de fina inteligência e educação, e uma beleza incomparável. Michelangelo escreveu cerca de quarenta poemas para ele e também o presenteou com desenhos. Cavalieri foi o único que teve um retrato pintado pelo artista, numa obra infelizmente perdida. Entre os desenhos que Michelangelo deu a Tommaso estão “Rapto de Ganimedes”, a “Queda de Phaeton”, a “Punição de Tytus” e “Bacanal de crianças”, cujos temas são sugestivos e até polêmicos.


Caravaggio (Italiano, 1571 – 1610)
Pintor que deu origem ao estilo barroco, Michelangelo Merisi da Caravaggio era considerado um homem enigmático, fascinante, perigoso e um bissexual que não lidava bem com sua atração por homens. Uma das personalidades mais fascinantes da história da arte, destacou-se como o mais vigoroso e influente pintor do século XVII. Dono de um temperamento agitado, envolveu-se numa série de atos de violência. Caravaggio conquistou fama com pouco mais de 30 anos, época em que seu traço vigoroso e o uso dramático do claro-escuro criaram um novo estilo. Embora tenha se envolvido com prostitutas, há indícios que o pintor viveu vários relacionamentos homossexuais. Durante sua curta carreira, Caravaggio foi apoiado pelo Cardeal Del Monte, clérigo rico e sofisticado, colecionador de arte e patrono oficial da escola dos pintores de Roma. O cardeal recebeu o pintor em sua casa, oferecendo-lhe alojamento, alimentação e uma pensão regular. Em troca, Caravaggio pintou uma série de quadros de jovens efeminados, pois Del Monte demonstrava gostar de rapazes. Caravaggio parecia compartilhar desse gosto, o que foi evidenciado em vários de seus trabalhos. Os corpos masculinos parcialmente ou totalmente desnudos retratados em sua obra são indícios para essa teoria. Acumulando inimigos, o pintor foi acusado de homicídio e teve de fugir de Roma no auge da carreira, vivendo como um nômade até a morte.


Salvador Dalí (Espanhol, 1904 - 1989)
Pintor, desenhista, fotógrafo e escultor, Salvador Dalí foi um importante artista catalão conhecido pelo seu trabalho de aspecto surrealista. Jovem, ele freqüentou a “Residência de Estudantes” em Madri, onde conheceu o poeta Federico García Lorca, com quem manteve uma amizade especial com muitos elementos de paixão. Essa relação, que pode ter sido a primeira experiência homoafetiva de Dalí, foi negada pelo artista até pouco tempo antes de sua morte, mas não foi a única. No livro "Sexo, Surrealismo, Dalí e Eu", o escritor britânico Clifford Thurlow descreve a intimidade de Dalí a partir dos relatos do pintor e bailarino colombiano Carlos Lozano, que conheceu o artista em Paris, em 1969, e foi amigo íntimo de Dalí até sua morte. Segundo Lozano, Dalí era totalmente homossexual e sempre ocultou isso. Ele viveu durante toda sua vida uma espécie de tormento que o levou a pensar em sexo além da conta.


Frida Kahlo (Mexicana, 1907-1954)
A vida de Frida Kahlo foi um tumulto desde o princípio: aos seis anos contraiu poliomielite e isso a deixou capengando de uma perna. Sofreu um acidente ao sair da adolescência, em um ônibus, onde além de fraturas generalizadas, foi perfurada por uma barra de ferro que entrou pela bacia e saiu pela vagina. Sofreu dezenas de cirurgias ao longo da vida, tendo uma saúde sempre frágil. Depois do acidente, Frida recebeu da mãe material de pintura. Como não podia levantar-se, olhava para si mesma, na cama, através de um espelho e assim começou a pintar auto-retratos, adotando estilo surrealista e primitivista, inspirados na arte popular de seu país. Era bissexual e casou-se aos 21 anos com Diego Rivera. O casamento foi tumultuado, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, embora não aceitasse seus casos com homens. Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina. Separam-se, mas em 1940 unem-se novamente, mas os conflitos continuaram. Apesar de certa liberdade sexual para a época, a artista acumulou tentativas de suicídio com facas e martelos. Alguns anos depois, não se sabe se por suicídio ou por complicações de uma forte pneumonia, ele acabou sendo encontrada morta.


Andy Warhol (Americano, 1928-1987)
O artista multimídia Warhol se impôs como um dos nomes mais influentes na segunda metade do século XX, sendo um dos marcos da Pop Art – movimento que extraía seus temas da cultura de massa americana. Entre as obras mais famosas estão os retratos de Marilyn Monroe, feitos logo após a morte da atriz (uma sequencia de fotos com várias cores sugerindo que a musa tinha muitas matizes, mas estava presa numa imagem só). Gay assumido, Warhol circulava ao lado de socialites em discotecas e restaurantes e aguçava a curiosidade da imprensa com suas perucas e os excessos de festas na Factory, seu estúdio em Nova York. Por conta de suas excentricidades, acumulou fãs que não se interessavam tanto por suas obra, mas sim pela vida do artista. Em 1968, Warhol levou dois tiros de uma feminista extremada chamada Valerie Solanas – que defendia nada menos do que o extermínio dos homens. O artista chegou a ser dado como clinicamente morto, mas sobreviveu graças a uma ressuscitação artificial. Após esse fato, mudou um pouco seu estilo de vida e suas obras. Um dos seus trabalhos mais comentados após esse período foi a série de duas mil imagens de Mao Tsé-tung, o ditador da China comunista, retratado com batom e lápis nos olhos.


iGay: Notícias, estilo de vida, comportamento e guia LGBT. http://igay.ig.com.br/


Hinos gays

Carl Bean — I Was Born This Way
Mais explícito impossível. A letra é clara: "E sou gay, sim, sou gay. Não é culpa, é um fato, eu nasci assim".

Cyndi Lauper — True Colors
A faixa homônima do disco "True Colors", lançado em 1986, foi rapidamente abraçada pelo público gay. Com uma voz aguda, Lauper dizia que devemos ver as "verdadeiras cores" das pessoas. Ou seja, não devemos julgar as pessoas pela opção sexual.

Gloria Gaynor — I Will Survive
Tema do filme "Priscila, a rainha do deserto", a música se tornou hit assim que foi lançada, em 1978. A letra conta a história de uma desilusão amorosa.

Queen — I Want to Break Free
No vídeo-clipe, todos os integrantes da banda estão travestidos. Fora isso, a letra é um convite a sair do armário: um dos versos diz, "Eu quero me libertar das suas mentiras".
Madonna — Várias músicas
A cantora que chocou o mundo várias vezes durante os anos 1980 foi adotada como queridinha do público gay. De "Papa, Don’t Preach" a "Ray of Light", as músicas de Madonna são clássicos das pistas de dança.

Sister Sledge — We are family
As quatro irmãs Sledge fizeram, sem querer, uma ode à união gay. "Nós somos uma família", em tradução literal, fez com que os homossexuais se sentissem mais unidos.

Village People — Todas as músicas
O grupo, formado essencialmente por homossexuais — apenas Victor Willis era heterossexual —, foi o símbolo dos gays durante a Era Disco. Criado em 1977, o Village People continua fazendo shows e sucesso até hoje. Um dos maiores sucessos do grupo é a música "Macho Man".

Lady Gaga — Born This WayA cantora pop, já querida pelo público gay, lançou em 2011 uma música com várias referências à homossexualidade, como "Não importa gay, hétero ou bi/ Lésbica, vida transgênera/ Eu estou no caminho certo, baby/ Eu nasci para sobreviver".