Rosana Gimael Blogueira

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Meras impressões apenas...






Meu caro amigo Stuart "Brau", como está o frio por aí? Você deve estar chegando por esses dias, mas já vou lhe adiantando as últimas - já que você deve ainda estar “em trânsito” e bastante atribulado-, caso você não saiba ainda ou tenha outra versão dos fatos.
Enfim, o grande dia chegou: Copa do Mundo no Brasil sil sil sil !!!! We are One!
Na verdade, meu querido, um dia antes do grande evento, devo-lhe dizer que nossa Presidente, em rede nacional , fez o seu discurso, um tanto eleitoreiro, mas o fez. Com um tom um tanto carregado, mas o fez. Criticou aqueles "que chegaram ao ridículo de prever uma epidemia de dengue na Copa em pleno inverno no Brasil”. Ela se esqueceu de dizer o que está acontecendo na cidade de Campinas, interior de S.Paulo: a maior epidemia de dengue de todos os tempos.
Dilma também se referiu a obras de mobilidade como ganhos. Citou avenidas, viadutos, pontes, metrôs, vias de trânsito rápido e avançados sistemas de transporte público. Jornais menos sensacionalistas rebatem-na dizendo que “todos os cinco projetos
de transporte sobre trilhos foram excluídos do plano. Corredores de ônibus (BRTs) estão sendo entregues incompletos”. Epa, e o trem-bala não chegou!?
Em educação e saúde, afirmou a Presidente, as esferas federal, estadual e municipal ‘investiram’, desde 2010, cerca de R$ 1,7 trilhão. Refrescando a memória, diz um suposto sabedor dos fatos: “Só se chega à cifra de R% 1,7 trilhão se contabilizados, além dos investimentos, gastos com custeio e pessoal”.
Bem, mas voltando ao tal esperado dia, querido amigo, a respeito da abertura da Copa, devo lhe dizer que, por aqui, a coisa esquentou os ânimos dos milhões de “críticos”, de todas as partes do país.
Houve toda a sorte de comentários, que vieram dos anônimos aos famosos.
Reclamaram da curta aparição – dois segundos! - do Exoesqueleto que chutou a bola na abertura ; o chute do projeto Andar de Novo , que sabemos ser um passo enorme para nossa ciência, a despeito da questionável (prática) pesquisa do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.
E , depois, muito se falou a respeito do fiasco da apresentação: pobre, sem brilho, vergonhosa, indigna do povo brasileiro!
Ora, você sabe, a diversidade cultural do nosso país é riquíssima, vasta, variada, de norte a sul do país e me parece que o povo se sentiu humilhado - e lá vem o tal complexo vira-latas, tão apregoado -, ao constatar que isso não foi explorado a contento para um evento ( e para um país!) desse porte.
Para quem está acostumado com "o maior espetáculo da Terra", com uma Marquês de Sapucaí, claro está que a abertura frustrou a milhões.
Outros esperavam algo hollywoodiano, digno de um país “rico” como o Brasil. Esperava-se ver a exuberância das escolas de samba afamadas e brilho, muito brilho...e como dizia Joãozinho Trinta: “Quem gosta de pobreza é intelectual; o povo gosta de luxo” , ao justificar a ousadia de suas criações nas escolas de samba cariocas.
Sabemos também que a diversidade musical e as riquezas naturais de nosso país são de tirar o fôlego, isso pra não dizer da nossa gastronomia. E todos aqui reclamam, Brau, que nada disso foi explorado como assim, merecidamente, deveria ser!
Questionaram o porquê da contratação de uma belga que não conhece nada do nosso país, para realizar tal abertura e não a de profissionais brasileiros de renome, gabaritados, capacitados pra "arrasarem" na organização do evento.
Aí, “massacraram” sobre a aparição dos “cantores”, J.Lopez, Pitbull e Claudia Leite. Houve problemas com o som na transmissão e as imagens exibidas para todo o mundo foram ao ar com um vergonhoso delay - atraso no som - em relação ao que ocorria no gramado do estádio. “A falta de sincronismo entre som
e imagem passou a impressão de que Claudinha, Jennifer Lopez e Pitbull estariam fazendo playback, expondo os artistas ao ridículo nas redes sociais”.
J.Lopes, apesar da sensualidade latina explícita, deixou a desejar com a falta de vibração; ao contrário de Claudia Leite (emocionadíssima, como milhões de nós, claro!) que, aliás, estava com um modelito, segundo diz a boca miúda - não tão miúda assim - de dois milhões de reais (?!). Sim, dois milhões de reais custou o seu look tupiniquim: um "macaquinho" cravejado de cristais swarovski, ela devidamente montada em um sapato de quase cinco mil reais, vindo da Itália, sob encomenda dela, especialmente para adornar seus pés. Claro, sem contar com os acessórios, lindas e caríssimas joias. Bem, o tal Pitbull...um Pitbull mesmo rsrsrs. Mas esse meu comentário pode soar “despeitoso”, meu amigo. Releve!
E todos se perguntavam: “Cadê os nossos geniais e criativos músicos”?
(...)
O que se sabe é que a FIFA é quem decidiu tudo, inclusive soube eu que a delicadeza do gramado, dentre outras coisas, não permitiriam grandes estripulias, além do que o tal espetáculo foi durante o dia, daí a ausência de brilhos, luzes etc e tal.
Dizem que jornais de todo o mundo criticaram duramente o vexame do evento. Eu, particularmente, vi alguns deles linkados pela suspeita ( duvidosa!) VEJA. Eu realmente não vi fontes
fidedignas que dão conta disso. Não por enquanto. Vale lembrar, caro amigo Stuart, que a Net nem sempre colabora comigo.
O que para mim, como brasileira, pegou mal, muito mal, foi assistir ao vexame de uma elite (ou classe emergente?) ao gritar a plenos pulmões palavras de baixo calão à Presidente do país - não tão carismática e convincente bem sei! -, à autoridade Dilma Rousseff, democraticamente eleita pela maioria do povo.
Ali, naquele estádio, estavam famílias que podem pagar pelos exorbitantes ingressos, ali estavam pessoas dessa tal “elite branca” que, com certeza, podem pagar colégios muito bons para seus filhos. De nada adiantam diplomas, títulos, dinheiro, se não houver educação, o tal berço, hoje esquecido e tripudiado. A calamidade do ensino no país não se restringe só à falta de vontade , ao descaso dos políticos desta nação, todos nós sabemos, não é Brau? Educação vem de casa, é responsabilidade da família! Ali, naquele recinto, com certeza não havia favelados ou a “proliferação” de pobres - e aqui nem cito negros, favelados - para que muitos, como sabemos, justificassem tal comportamento - fala comum entre aqueles da classe emergente ou não.
Se o descontentamento é tão grande assim com tudo o que estamos vendo, vivenciando – e sem falar dos protestos violentos pipocando por aí tampouco as greves – , então, que se faça valer o maior protesto de todos os tempos em outubro, nas eleições, você não concorda, gringo?
Apesar disso, meu caro amigo, o Brasil se saiu bem, muito bem, no jogo contra a Croácia, mesmo com um gol contra do nosso Marcelo.
Finalizo, dizendo a você, meu amigo, que eu, ao ouvir o Hino Nacional, debulhei-me em lágrimas, pra variar. É sempre de arrepiar...
E inspirada agora pelo nosso talentoso músico Milton Nascimento ( e o parafraseando!) em uma de suas antológicas canções, digo-lhe: Para ser brasileiro é preciso ter força, é preciso ter raça e é preciso ter garra sempre. Essa é a marca do verdadeiro espírito brasileiro. E ser brasileiro não é para qualquer um não, Stuart Brau!
Te espero no Posto 9, como sempre! E iremos comemorar o seu níver, com um certo atraso...mas assim o faremos em grande estilo, como nos velhos tempos...e já lhe desejo os Parabéns e toda a sorte do mundo nessa sua nova fase, no Brasil!
Abraços