Rosana Gimael Blogueira

domingo, 18 de janeiro de 2015




A música e eu

T
enho a música como a expressão máxima de um estado de alma, a melhor  tradução de um  canal de comunicação extrassensorial  entre as pessoas que têm uma percepção muito além  da  imagem aparente das coisas ao redor.
A linguagem musical muito cedo se apossou de mim. Desde o assoviar contínuo da minha mãe, entoando  trilhas de músicas de filmes da década de 50  - enquanto cozinhava -  às batucadas do meu pai  sobre a pia do banheiro,  ao amanhecer , durante a minha mais tenra infância, passando pelas festas  na  casa de minha avó Dinorah, casa cheia de italianada varando madrugadas - regadas à Jovem Guarda - às aulas particulares do meu Tio ZéNato,  que ensinava matemática em casa, sob o som da bossa-nova, apresentando-me Nara, Chico, Caetano, Gil, J.Gilberto.
Depois vieram  Beatles, Rolling Stones,  Gênesis , Pink Floyd  e outros estilos de  rock mais pesado, todos eles apresentados pelo meu tio Jorge  Baracat, um descendente de libaneses à frente do seu tempo,  período intercalado por Luiz Gallani e seu conjunto, Rage Baracat, Paulinho Tavano  e  meu tio Rubens Gimael , eternamente acompanhado de seu sax.
E , paralelamente,  veio o piano, com quem tive afinidade imediata, assessorada,  a princípio pela D. Stella Tavano e depois pela  Maria Ignês  Scorsoni, maravilhosa pessoa (e paciente professora!)  com quem aprendi tantas lindas coisas. Meu namoro com esse instrumento durou quase duas décadas. E foi, nesse período, que fiz minhas incursões pela música clássica, que aprimorei  meus  ouvidos, que viajei por lindos caminhos, descobrindo melodias e partituras que me faziam sonhar e sonhar.
Fui crescendo acompanhada de meus primos e primos da minha mãe extremamente musicais que atravessavam dias e noites em nossos encontros,  embalados  pelo violão ( ocasiões que também estimularam meu irmão Michel a iniciar-se nesse  instrumento) e, logo após, pela minha tia Célia, com sua voz poderosíssima  e performance única que abrilhantava nossas festas.
Depois vieram as  nossas viagens na Kombi  do meu   Tio Jorge  devidamente acompanhadas por uma trilha sonora impecável, deliciosa ... “viajava” sob o som das músicas através da janelinha, vendo os azuis, os  verdes, a vida que se descortinava além do horizonte... e sonhando sempre!
E seguiram-se  os romances, os bailinhos na garagem,  no CFC, as inúmeras viagens, a gravidez  e todos os eventos que se tornaram marcantes através de  uma melodia, de uma canção que me transportava para um universo mágico, que me inspirava - o que sempre me fez levar a vida com certa leveza  e muita alegria.
Não há um casal que não tenha uma música-tema para o seu relacionamento. Se não houver, então não há sintonia de romance. Não há uma viagem fascinante sem uma boa trilha sonora que perpetue em nossa memória, que  nos remeta a emoções e sensações vividas nos momentos pra lá de especiais ou àquelas que  sempre associamos a pessoas por quem nutrimos carinho, afeto, amor.
Aqui, no sul, chove, venta – eu diria que mais parece um vendaval -, faz um frio danado. Me preparo  para as próximas horas para uma viagem de carro, um percurso com duração de mais ou menos  14 horas. Sozinha. E preparada. Sim, organizei, previamente  uma seleção de mais de mil músicas que farão dessa viagem uma conexão com o divino. Nada a temer. Apenas sentir e sentir.  E viajar e “viajar”. Acho que os meus tios e meu pai amariam ouvir essa extensa coletânea .  E com  certeza, reverenciariam essa minha trilha sonora.
(...)
E que todos possamos fazer da vida a melhor ( e a mais harmônica!) melodia para os nossos ouvidos!
E  que venha a vida... Lindo dia a todos!