Rosana Blogueira

domingo, 18 de janeiro de 2015

A surpresa: Uma bailarina no ar!



R
ecebi uma mensagem in box de um querido e lindo casal de amigos pedindo o meu endereço pra me mandar uma encomenda. Disseram-me que eu iria cair pra trás com a “surpresa” que chegaria em minha casa.
Imaginem se eu não fiquei ansiosa! Uma surpresa desses amigos tão especiais pra mim...acabei indo ao correio, já que aqui onde estou não há carteiro...vai que a “surpresa” já tinha chegado!
Saí de lá, pensando no que poderia ser...cheguei a cogitar que os dois viessem  me visitar, por que não¿ Mas seria algo inusitado pra não dizer impossível já que os dois já tinham retornado de férias e já estavam em sala de aula.
Enfim, aguardava feito criança em noite feliz com Papai Noel essa surpresa!
Cheguei da cidade com meu filho às 13h...
Ao chegar a casa, Lud gritou de cara que a minha encomenda havia chegado.
Entrei e dei de topo com um jovem de olhos claros que não me era estranho, acompanhado de uma “moça” meio que embrulhada pra presente da cintura pra cima, que deixava à mostra belas pernas bronzeadas...quem poderia ser¿ Que surpresa era aquela¿ Lentamente, ela foi aparecendo sob o embrulho de  papel cor de rosa...Euniiiiiiiceeeeeee!!!!!!Não acreditooooooo!!!!E começamos a pular e a pular de mãos dadas,riiindo muuuito...Que linda surpresa!!!! Eu não acreditava meeeesmooo...chegara de Floripa onde fora visitar o filho Danilo e resolveu passar pra me ver. Veio de uma estafante viagem de ônibus...o motorista a parou na av. principal e ela saiu perguntando onde morava a Rosana, a paulista, ao que prontamente apontaram a direção.
Mal chegou, já nos atracamos a conversar e a conversar e a conversar...
Ela é espirituosa, cara, jeito e corpo de menina que não denuncia em hipótese alguma a idade que tem. Leve de alma, leve de espírito, riso contínuo, papo-cabeça, marota, criativa, sedutoramente, hipnoticamente interessante, linda de viver, de bem com a vida...esta é ela.
Passamos o dia e a noite rindo, conversando, relembrando...encantadas com o nosso reencontrar...harmonia reinando absoluta.
Privilégio ter esses momentos. Tudo tão natural, tão espontâneo, tão a gente mesmo...
Anoiteceu e ainda estávamos em volta de uma mesa, comendo, bebendo... eis que de  repente, passou um jovem acompanhado de outros dois amigos que a reconheceu pela voz...era um primo dela querido de S.Paulo que estava de férias por aqui. Sentou-se conosco, um encontro inusitado meeesmo...coisas que acontecem com ela.
Ficamos animadamente conversando, já nos programando para a praia no dia seguinte...e já era tarde quando nos dispusemos a dormir...
O amanhecer estava luminoso, quente, envolvente, um alegre despertar criativamente elaborado por ela...e lá fomos à praia nos juntarmos ao primo Jair, extremamente alto-astral.
E caminhamos, e conversamos e curtimos as poucas horas que ela tinha por aqui feito crianças...
De repente, ela deu um salto no ar...uma bailarina francesa ou uma gaivota airosa¿ Literalmente suspensa no ar, querendo alçar voo...Instigante, paralisante...que ser é esse¿
Apenas uma garota que sabe extrair da vida o melhor, uma mulher sábia, desprendida de tudo e de todos, que faz comentários interessantes das pequenas às grandes coisas, que, com olhar atento de alma, desvenda mistérios e segredos e novidades a sua volta, que envolve a tudo e a todos com sua maneira de contar o que viveu...com seu porte altivo e andar flutuante, moleca de tudo, canaliza a atenção pra si mesma de forma incomum...irreverente, simples, sábia, performática...adorável!
Despediu-se de nós de forma surpreendente – como era de se esperar, vindo dela.
Olhou cada um de nós de forma intensa e disse-nos que iria nos passar três coisas...a primeira era sobre o relacionamento entrepais e filhos; a segunda sobre o que sentiu nesse nosso reencontro e como fora recebida; a terceira a mensagem-ritual de um feliz Ano Novo...sob o cantarolar do “Adeus Ano velho...feliz ano novo” demonstrou o que ela e a família fazem durante décadas, mantendo a tradição pra recomeçar um novo ano-ofereceu-nos a cada um de nós a menor nota(dois reais) que deveríamos manter dobradinha na carteira...pra nos dar sorte!
Foi embora cantarolando, adorando tudo o que viu, brincando com os imprevistos e o nosso despojamento, o nosso amontoar de coisas já que havíamos retornado ao nosso espaço após mudança de chalé que havíamos alugado na temporada...uma bagunça só...brincou com o despertar da ruidosa descarga, com o aspecto da “casa de boneca” (às avessas!), com a toalha “cortada ao meio” para dois, do improviso de talheres e panelas, dentre tantas outras coisas...
Até tentei a famosa frase: “Desculpe a bagunça, acabamos de chegar com a mudança, etc etc etc”...nem precisaria, ela parecia pertencida a nossa rotina, ela entendeu que algo muuuuito mais precioso foi a chegada dela ao nosso lar, àquele temporário espaço nosso, entendeu que amamos estar com ela e o que ela nos ofereceu, nos entregou .... totalmente disponível, totalmente entregue ao nosso benquerer...
Ela sentiu que não alterou a nossa rotina, que também estávamos entregues e disponíveis pra ela, que nos alegramos com a presença dela e de seu filho, Danilo...que foi um prazer memorável ela ter estado aqui conosco.
E eu apenas agradeço a Deus a oportunidade, o privilégio de ter pessoas assim por  perto, pessoas que nos  visitam pra acrescentar, pra darem aquele sentido maior a nossa existência tão exaustivamente citado por mim.
Sou sempre repetitiva naquilo que discorro acerca da arte do encontro (e do reencontro!)...Sei apenas que a felicidade reside nessas pequenas fagulhas de contentamento aparentemente tão prosaico, tão pueril...e tão revelador!
Sei  que eu, meu filho e meu namorado fomos tomados por uma onda de felicidade incomum e que sempre nos lembraremos dela com carinho e gratidão: uma presença marcante e que se fez tão necessária e premente neste momento de nossas vidas.
Um encontro com sabor de conversas na calçada frente a nossas casas em Cosmos, minha querida cidade natal, nas noites alegres de verão, acompanhados dos nossos pais, tios, primos, avós, amigos...coisas de antigamente, muuuito raras hoje em dia, pra não dizer impossíveis de acontecerem. Coisas que hoje não temos mais oportunidade de desfrutar...apenas ternas ( e eternas!) lembranças que dão uma dorzinha looouca dentro da gente...e que  nos fazem tão bem!
Obrigadaaaaa por sua presença luminosa em nossa casa e até a qualquer momento...um lindo voo pra vc, “gaivota-bailarina”, e um alegre aterrissar!