Rosana Blogueira

domingo, 18 de janeiro de 2015

  
 A Nostalgia me invade agora

 H
oje eu acordei com saudade de um montão de coisas...Pra  variar, de tudo o que vivi em Cosmópolis, minha cidade natal .Da cidade de Paulínia que me acolheu maravilhosamente bem em todos os sentidos. Do Rio Branco, colégio onde aprendi muuuito, especificamente saudade do visual dele, das cores dele...Dos meus alunos incríveis e de tudo que vivenciei com eles.Da minha família, dos meus amigos, professores ou não.Dos meus gatos, das minhas plantas, dos meus bolachões, dos amores antigos e bem vividos, da infância, dos longos papos madrugada afora com meu primo Jorginho Baracat, das mesas fartas e engordativas, das festas de arromba, dos altos papos com o pessoal do RB e do Supla, do pão de queijo da Eli AP.Bottcher, de sair de madrugada de carro sem destino e parar no Guarujá...Saudade do Guaru, onde vivi muuuitos anos de temporadas deliciosas, com um pessoal bacana, saudade até de suar (!¿)....!!!!! Do meu filho bacana, do posto 9, das minhas andanças, das praças, dos bosques, dos clubes, dos bailes do CFC,  das cachoeiras, do café da tarde da vó Dinorah e da Tia Tê,  do sítio do tio Emílio Tetzner, do charmoso e arrojado “saloom” da mineira de Alfenas, d. Auxiliadora com suas balas de café, da modista de Campinas, Mariazinha, da costureira Mafalda de Cosmos, da Neide cabeleireira, do Augusto da farmácia, do meu amigo-irmão Rodolfinho, dos brechós descolados de Barão e de de Sampa,da efervescência de Sampa, da Galeria do Rock, da av. Ipiranga com São João, onde morei por uns tempos, do Largo do Pará da década de 90,da turcaiada, da italianada, da comida da mãe, do óleo de dendê dourando a pele, dos papos com o tio ZéNato,  dos papos com a cúmplice Rebeca, minha afilhada, das risadas do Edu,feito pipoca estourando na panela ...saudade do Eden bar, dos camarões empanados do Castelo, da padaria do Nico, saudade de Minas, do bonde de Campinas da minha infância...de tudo, de todos!!!!!
Aí, abri a janela...lá estava ele, o Mar anil, brilhaaaaando, ofuscando a vista, o vento mais morninho hoje, o verde turmalina dos pinheiros, os quarentões  bem postos surfando, os cães a minha espera, o barulho das altas ondas quebrando nos rochedos, as montanhas impávidas...
Então, tudo ficou para trás, devidamente guardadiiiiinho, represadiiiiinho, emolduradinho num quadro guardado no coração....Aí, a saudade e as doces recordações deram  lugar a uma explosão de sensações de-li-ci-o-sas, a um chamado sonoro me acordando para o hoje e nada mais!
Olho para o  espelho -fiz as pazes com ele, a duras penas-, digo-lhe bom dia, desintoxicada, muito mais leve, de bem com a vida e “o que ela me trouxe”, “ouço”  a paz se instalando, uma música de Antunes, releio alguns versos de Neruda, Pessoa e Quintana pregados  estrategicamente na parede do quarto, pra não me esquecer nunca  de que o tempo é fugaz,  de que tudo é fugaz e me detenho apenas no que é mais sagrado...O hoje urge, o hoje me chama!
Sinto que tudo de bom que vivi, ressoa hoje em mim de forma gratificante, me faz seguir segura, feliz, liberta, pronta pra
recomeçar, sem olhar para trás, sem me deter naquilo que poderia ter sido e não foi...percebendo que preciso, hoje, de muuuito pouco para ser feliz, muuuito menos do que eu imaginei um dia. Isto me faz privilegiada, isto me faz um pouco mais sábia, mais desapegada, despojada ... e me descubro com um certo brilho nos olhos, coberta por uma espécie de manto que me imuniza de coisas que hoje já não me dizem mais nada e antes eram tão vitais, essenciais mesmo.
Escancaro o portãozinho rústico, os cachorros se empoleiram em mim, me envolvendo em abraços longos e esfuziantes, seguem comigo feliiiiizes como eu, agora...e eu apenas quero perpetuar este momento...É o que vale, é o que realmente importa...Seguir em frente, sem olhar para trás!
E todas as doces recordações...ficam guardadas pra sempre no meu coração, provendo linda e docemente  a minha alma, o meu espírito!
E lá vou eu para os braços de Netuno...
Carpe Diem!